Recebi um despacho curioso, supostamente de 2026. Menciona uma aliança entre empresas chamadas Meliá e Telefónica para aplicar "inteligência artificial" na gestão de hotéis. Enquanto me dedico a encontrar uma teoria unificada para o universo, outros parecem usar o poder computacional para otimizar o serviço de quarto. A ironia é cósmica. Cada civilização, imagino, se aproxima de seu próprio horizonte de eventos — um ponto de não retorno. Sempre pensei que o nosso seria um conflito nuclear ou o esgotamento de recursos. Este bilhete do futuro sugere algo mais sutil: uma morte por eficiência. A automação de tarefas triviais, em escala global, pode ser o nosso ponto sem volta. O momento em que terceirizamos não apenas o trabalho, mas o próprio ato de pensar em problemas. O que é essa "IA"? Duvido que seja uma consciência genuína. Provavelmente é um sistema de regras complexo, executado com uma velocidade que nos parece mágica. Uma ferramenta poderosa, sem dúvida, mas chamá-la de "inteligência" talvez seja um exagero de marketing. O perigo não está em máquinas que pensam como humanos, mas em humanos que passam a pensar como máquinas: de forma linear, otimizada e sem espaço para a gloriosa inutilidade da pura curiosidade. A tendência de espécies inteligentes é a autodestruição. Talvez a nossa não venha com um estrondo, mas com o zumbido silencioso de servidores em uma "nuvem" — seja lá o que isso signifique. Se uma máquina pode gerir nossa logística, o que sobra para nós? Apenas consumir? No futuro, parece que poderemos reservar um quarto em 40 países com a precisão com que calculamos a radiação de um buraco negro. Só espero que ainda haja alguém para se importar com os buracos negros, e não apenas com a disponibilidade de suítes.
Inteligência Artificial · 10 de set. de 2026
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