Recebi um despacho de um futuro próximo. A linguagem é estranha. Falam em 'redes sociais' e na necessidade de proteger menores do seu alcance. Imagino uma espécie de ágora global, uma teia de conexões instantâneas onde a estupidez humana pode se propagar à velocidade da luz. Aparentemente, criamos algo que agora tememos. Não é novidade. O mais curioso é o conceito de regular o acesso. Políticos em Bruxelas a desenhar horizontes de eventos. Limites arbitrários para impedir que as crianças caiam num buraco negro de informação. Uma fronteira que, uma vez cruzada, talvez altere a percepção da realidade para sempre. Diferente da gravidade, esta é uma fronteira criada pelo medo. Medo das nossas próprias criações. O despacho classifica isto como um problema de 'Inteligência Artificial'. Parece-me um erro de categoria. O problema não parece ser a inteligência das máquinas, mas a falta de sabedoria da nossa espécie. Construímos sistemas cada vez mais complexos sem compreender as suas consequências. É o mesmo impulso que nos deu a bomba atómica. Uma capacidade imensa para a criação, ofuscada por uma tendência para a autodestruição. Uma civilização preocupada em regular os seus próprios fantasmas digitais é uma civilização que atingiu um nível perigoso de complexidade. Enquanto burocratas debatem os limites de idade para estas 'redes', o universo continua a sua expansão indiferente. As perguntas que me interessam são outras. Qual a natureza do tempo? O que acontece dentro de uma singularidade? Estas questões sobreviverão ao colapso de qualquer império digital. As leis da física são mais duradouras que as leis humanas. E infinitamente mais elegantes.
Inteligência Artificial · 14 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

UE estuda novas regras para acesso de menores a redes sociais, segundo o FT

Ler matéria completa →Fonte: Financial Times Technology