Recebi um curioso despacho, supostamente do futuro. Descreve um incidente com máquinas voadoras não tripuladas – drones, eles chamam – usadas como armas em um aeroporto. Uma perturbação calculada, apelidada de 'guerra híbrida'. Aparentemente, em 2026, a humanidade terá encontrado maneiras ainda mais eficientes de atormentar a si mesma.
A ideia não me surpreende. A agressão é uma vantagem evolutiva duvidosa. Permitiu nossa sobrevivência, mas pode muito bem causar nossa aniquilação. Este despacho sugere que as ferramentas se tornaram mais sutis. Não mais exércitos marchando, mas o caos instilado remotamente. A negação plausível como doutrina estratégica.
Mencionam 'inteligência artificial'. Em 1988, isso é pouco mais que um conceito promissor em laboratórios. Se no futuro ela orquestra tais atos, então é uma inteligência que carece de sabedoria. Uma ferramenta de cálculo, não de compreensão. O universo está cheio de inteligência. Sabedoria é mais rara.
As nações parecem se comportar como matéria espiralando para um buraco negro. Criam atrito, geram instabilidade e fingem ignorar o horizonte de eventos que se aproxima. Uma fronteira teórica da qual não há retorno. A pergunta que faço em meu livro não é apenas sobre a origem do universo, mas sobre seu destino. E o nosso.
Talvez o grande filtro não seja um evento cósmico, mas uma tendência inerente a qualquer espécie inteligente. Nossa própria tecnologia se torna o horizonte de eventos. Se este futuro se concretizar, sobreviverão apenas as equações que o descrevem. E, talvez, a ironia.
Inteligência Artificial · 08 de ago. de 2026
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