Recebi um despacho curioso, um rumor sobre o futuro repleto de termos que soam a especulação de financistas, não ao trabalho de homens que constroem. Falam de uma empresa, JSL, e de um tal Guilherme Sampaio, que ergue um negócio sendo ‘asset light’. Leve em ativos? Que disparate. Meu império se mede em toneladas de cobre, no peso dos dínamos e na solidez das patentes que protegem minhas invenções. Uma empresa que se orgulha de não possuir seus próprios instrumentos de trabalho parece-me uma casa construída sobre areia, dependente de outros para cada movimento. O valor reside no controle, na propriedade do mecanismo que gera a riqueza, não em aluguéis e contratos de papel. Acreditar no contrário é trocar o motor a vapor por um desenho de suas engrenagens. O despacho menciona também ‘gestão remota’. Entendo o poder do telégrafo; ele conecta meus laboratórios e escritórios em um sistema nervoso de fio e código. Mas gerir lideranças à distância? A inovação nasce da transpiração coletiva, do olhar atento sobre a bancada, da disciplina imposta pela presença. A genialidade, que é 1% inspiração e 99% transpiração, não pode ser supervisionada por um fantasma no fio. Como garantir as dez mil tentativas para encontrar o filamento perfeito sem o olhar do mestre de obras? A menos que essa ‘digitalização’ de que falam seja uma nova forma de telégrafo ou fonógrafo capaz de transmitir não apenas a voz, mas a própria autoridade e a inspeção minuciosa, considero a ideia perigosamente ineficiente. Essas estratégias soam como uma tentativa de colher os frutos sem plantar a árvore. No fim, o que prevalece não é a astúcia contábil, mas a solução que funciona, que ilumina uma cidade, que pode ser fabricada em escala e vendida com lucro. O resto é fumaça.
Negócios · 01 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

JSL aposta em gestão remota e 'asset light' para crescer com lucro

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