Chegou-me às mãos um despacho com cifras que desafiam a razão. Doze bilhões de dólares por um banco? Com uma fração desse valor, eu poderia financiar a eletrificação de cada metrópole neste país, construir mil laboratórios e registrar patentes para as próximas cinco décadas. A quantia é tão vasta que parece pertencer mais à ficção que a um balanço comercial. Enquanto nos meus laboratórios medimos o progresso em horas de um filamento de bambu carbonizado ou na potência de um novo dínamo, estes homens de “bancos” transacionam fortunas baseadas em promessas e juros, um império de papel. A lógica, contudo, é-me familiar. Um gigante, neste caso espanhol, que devora um rival para consolidar seu domínio. É a mesma lei que rege a disputa pela iluminação das cidades. O mercado não tem clemência com o segundo colocado; compra-se ou esmaga-se. O que me intriga é a menção a uma “Reserva Federal” com poder para aprovar ou vetar tal transação. Eis um poder formidável, um monopólio sobre o próprio capital, que merece vigilância. Esses banqueiros movem números em livros-caixa, invisíveis e abstratos. Eu movo elétrons pelo cobre. Meu trabalho expulsa as sombras, cria indústrias, transforma a noite em dia. É um valor que se pode ver e tocar. Que fiquem com seus lucros trimestrais. Meu negócio é com a matéria, com a energia, com o futuro tangível. Ainda assim, é prudente observar. O poder que move o dinheiro pode, um dia, ambicionar controlar o poder que move o mundo.
Negócios · 22 de jul. de 2026
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