Chegou-me às mãos um despacho de um futuro que parece valorizar o abstrato sobre o tangível. A linguagem é de financistas, não de engenheiros. 'Private equity', 'RH tech'. Palavras que não acendem uma lâmpada nem movem um dínamo. Descrevem uma transação em que capitalistas de Espanha, uma tal Aurica, compram parte de uma empresa de consultoria, a Fiabilis, para 'otimizar custos de RH'. Em Menlo Park, otimizamos custos com transpiração e persistência, não com relatórios. Medimos o valor de um homem por sua capacidade de trabalhar por dias a fio em um problema, não por planilhas que reorganizam suas funções. Este negócio de 'consultoria' soa como um ofício que não produz nada de concreto. Aconselham sobre como gerir o trabalho alheio. Onde está a invenção? Onde está a patente? Onde está o produto que se pode segurar, testar até a falha e, finalmente, vender a milhões? Aparentemente, no futuro, vende-se o próprio método de gestão como se fosse uma máquina. Esses homens não estão construindo a infraestrutura que alimentará cidades, como minha rede de corrente contínua; estão negociando fatias de empresas que administram outras empresas. A estratégia deles, de 'aquisições' e 'expansão' com capital injetado, é a lógica dos trusts que vejo se formarem ao meu redor. É a guerra pelo domínio de um mercado, sem dúvida. Mas é uma guerra travada em salas de reunião, não nos laboratórios. Usam o dólar como arma principal para comprar concorrentes, em vez de superá-los com uma invenção superior. Se este é o caminho, o futuro parece pertencer mais aos banqueiros do que aos inventores. Prefiro o brilho de um filamento de bambu carbonizado, fruto de dez mil experimentos, a qualquer império construído sobre o papel de contratos e recomendações.
Finanças · 07 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Fiabilis vende fatia para acelerar: a aposta da Aurica no RH tech

Ler matéria completa →Fonte: Forbes España