Chegou-me às mãos um despacho curioso, repleto de termos que soam mais a fantasia que a engenharia: 'Amiga', 'Raspberry Pi'. Descreve a ressurreição de uma máquina por meio de um sistema de 'código aberto'. Confesso que o conceito me escapa. Em Menlo Park, medimos o progresso em milhares de horas de experimentação e no valor de cada patente registrada. Uma invenção que não se pode proteger e vender é um exercício de futilidade, não um negócio. A ideia de uma 'comunidade de software livre', onde inventores colaboram sem a proteção de patentes, soa-me como a mais pura anarquia comercial. Seria o equivalente a eu publicar os esquemas do meu filamento de bambu carbonizado para que Joseph Swan e outros concorrentes o copiassem livremente. O resultado seria a ruína, não o progresso. A eletricidade não iluminará o mundo com base na boa vontade; ela o fará por meio de sistemas integrados, dos dínamos à fiação, todos controlados e monetizados. A inovação exige capital, e o capital exige retorno. Este 'AmigaOS' rodando em hardware de 'baixo custo' pode ser um brinquedo interessante para amadores. Contudo, seu verdadeiro valor só surgirá quando alguém com visão de mercado consolidar essa energia dispersa. A menção a 'acordos de licenciamento' indica que, mesmo neste futuro estranho, o bom senso prevalece: alguém percebeu que é preciso controlar a propriedade para construir um império. O resto é passatempo. O futuro não pertence a fantasmas de máquinas antigas ou a clubes de entusiastas. Pertence a quem constrói, patenteia e vende o sistema inteiro.
Tecnologia · 27 de ago. de 2026

Ensaio sobre a notícia

O Amiga não morreu: agora, ele roda no Raspberry Pi

Ler matéria completa →Fonte: The Register