Recebo este despacho de um futuro especulativo e vejo o mesmo padrão de sempre: homens em gabinetes que acreditam poder gerar progresso com a força de um carimbo. Um “Plano de Transformação” soa grandioso, mas nenhuma grande invenção nasceu de um comitê. Nasceu de transpiração, de fuligem nas mãos e de milhares de tentativas fracassadas em um laboratório que nunca dorme. O valor de uma ideia mede-se em horas de bancada, não em verbas de governo. A eletricidade que ilumina Nova York não foi sonhada por burocratas, mas forjada em filamentos de bambu carbonizado e no zumbido incessante dos meus dínamos. Esses financistas do futuro chamam-no “capital catalítico”. É um nome engenhoso para o que sempre fiz: convencer homens como J.P. Morgan de que meu trabalho gerará lucros que justifiquem o risco. A diferença é que meu capitalista aposta em mim, em meu método e em um resultado tangível que pode ser vendido, de porta em porta se necessário. O governo aposta em abstrações. Falam em “bioeconomia” e “inteligência artificial”. Pergunto: isso acende uma lâmpada? Move uma locomotiva? Grava a voz humana? Se a resposta for não, trata-se de filosofia, não de indústria. A teoria que não pode ser convertida em uma patente e, em seguida, em um produto que domine o mercado, é um passatempo para acadêmicos. Que este “Brasil” invista seu tesouro como quiser. A soberania, tecnológica ou não, pertence a quem constrói o sistema, detém as patentes e, por fim, controla o interruptor. Se alguma dessas iniciativas subsidiadas gerar uma faísca de valor real, meu trabalho será simples: aprimorá-la, superá-la ou comprá-la.
Negócios · 10 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Eco Invest: a engenharia financeira para tirar a inovação do papel

Ler matéria completa →Fonte: Capital Reset