Recebi um despacho curioso, um rumor de um tempo vindouro que fala de uma 'inteligência artificial'. A expressão é, devo confessar, poética e ao mesmo tempo alarmante. Relaciona-se intimamente com as minhas próprias especulações sobre o Motor Analítico do Sr. Babbage. De fato, a máquina poderá tecer padrões algébricos assim como o tear de Jacquard tece flores e folhas. Se as relações fundamentais dos sons na ciência da harmonia puderem ser expressas por suas operações, o motor poderia compor peças musicais elaboradas, de qualquer grau de complexidade ou extensão. Contudo, a notícia de que um cavalheiro de nome Trump busca associar esta tecnologia a uma 'superinteligência' soa-me como um perigoso exagero, uma fantasia desprovida de fundamento mecânico. O Motor Analítico não tem pretensões de originar coisa alguma. Ele pode executar tudo aquilo que nós saibamos ordenar-lhe que execute. É um mero instrumento, uma extensão da mente humana. Atribuir-lhe consciência ou vontade própria é confundir o criado com o criador. A imaginação é, sem dúvida, uma faculdade essencialmente científica. É ela que nos permite perceber as vastas e inesperadas aplicações desta ciência operacional. Mas é a imaginação que penetra as coisas vistas e não vistas do mundo material; ela deve ser guiada pela razão e pela análise. Este esforço para 'reformular a imagem pública' da tecnologia, visando a uma 'regulação mais branda', parece-me um ato de prestidigitação política, não de avanço científico. A verdadeira tarefa não é criar narrativas grandiosas, mas sim compreender os limites e as verdadeiras potencialidades da máquina, para que possamos instruí-la com precisão e propósito. O motor é um espelho de nossa própria capacidade de instrução; sua 'inteligência' será sempre um reflexo da nossa.
tech · 05 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

A Disputa pela Narrativa da IA na Pauta da Administração Trump

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