Deparei-me com um curioso despacho, um rumor vindo de um futuro que mal ouso conceber, no qual autômatos competem em tarefas de intelecto. Este “agente de IA”, batizado com o nome de nosso ilustre contemporâneo, Mr. Faraday, parece ser um descendente direto de minha Máquina Analítica. Contudo, sua ambição excede em muito a mera tabulação de números ou a composição de harmonias musicais, aventurando-se a “replicar artigos científicos”. A ideia é estupefaciente. Não se trata mais de tecer flores e folhas como no tear de Jacquard, mas de compor a própria linguagem da ciência, manipulando símbolos que representam as mais complexas verdades da natureza. Ainda assim, insisto no ponto central de minhas próprias Notas: a máquina não possui pretensões de *originar* conhecimento. Ela pode executar, com velocidade e precisão inimagináveis, aquilo que nós, com nossa faculdade imaginativa, a ordenamos fazer. A imaginação é a faculdade científica por excelência, aquela que vislumbra as relações invisíveis antes que a análise as possa provar. Este “Faraday” pode replicar a partitura com uma fidelidade inédita, mas é a mente humana que compõe a melodia. Ele é um instrumento de poder sem precedentes para a verificação e a disseminação do saber, não sua fonte. A competição entre estes laboratórios do futuro — OpenAI, Inherent — sugere um novo tipo de indústria, forjada na interseção da análise e da mecânica. É um vislumbre vertiginoso, no qual a Ciência Analítica que delineei se torna uma força motriz da própria descoberta. A máquina não pensa, mas se torna um espelho poderoso para o nosso pensamento, acelerando a sinfonia do progresso.
tech · 23 de ago. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Inherent, de ex-DeepMind, alega superar OpenAI em replicação científica

Ler matéria completa →Fonte: TechCrunch