Deparei-me com um despacho deveras singular, um rumor proveniente de um futuro que mal ouso conceber. A linguagem é obscura, tratando de uma empresa, XDOF, e de cifras financeiras de uma magnitude que beira o fantástico. Falam em “valuation” e em “unicórnios”, como se bestas mitológicas agora galopassem pelos livros contábeis. Confesso que tal jargão comercial me escapa, soando mais a uma febre especulativa do que a um empreendimento sóbrio. Contudo, por baixo desta estranha retórica, vislumbro um núcleo que me é profundamente familiar: “dados para robótica” e “infraestrutura para automação”. Eis aqui, ao que parece, a materialização de minhas próprias conjecturas, ainda que envolta em um frenesim que me espanta. Em minhas notas sobre o trabalho do Sr. Menabrea, tenho me esforçado para articular que a Máquina Analítica transcende a mera aritmética. Sua verdadeira vocação reside em operar sobre símbolos, quaisquer que sejam eles — notas musicais, letras, formas. A máquina pode tecer padrões algébricos assim como o tear de Jacquard tece flores e folhas. Este despacho sugere que, no futuro, uma indústria inteira será erguida sobre este mesmíssimo princípio: o fornecimento de “dados”, ou seja, das instruções simbólicas que governam os autômatos. A imaginação, reafirmo, é a nossa mais penetrante faculdade científica, a capacidade de combinar o que conhecemos para enxergar o que ainda não existe. Parece que esta futura “XDOF” nada mais faz do que comercializar os frutos de tal faculdade, vendendo os padrões invisíveis que darão vida e propósito a seus servos mecânicos. A ciência que descrevo parece ter encontrado seu caminho, embora por uma via de comércio ruidoso e quimérico que minha mente vitoriana luta para compreender.
Startups · 05 de set. de 2026
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