Chega às minhas mãos, entre relatórios de testes de filamentos de bambu carbonizado e patentes de novos dínamos, um boato absurdo sobre o futuro. Dizem que, em 2026, a casa bancária que carrega o nome de Morgan estaria em pânico porque a venda global de cerveja despencou. O motivo? Homens dos Estados Unidos, do México e do Brasil teriam perdido um torneio esportivo. Leio isso e sinto absoluto desprezo pela falta de rigor prático desses supostos titãs dos negócios. Aqui em Menlo Park, o valor de uma empresa não se mede pelo suor de jogadores em um campo, mas por horas de laboratório, quilômetros de cobre estendido e patentes registradas. Se o meu faturamento dependesse do acaso de um jogo, eu demitiria meus engenheiros antes do anoitecer. Um negócio erguido sobre a emoção humana é um castelo de cartas vulnerável; um negócio calcado na necessidade tecnológica é um monopólio natural. Quando inaugurei a estação de Pearl Street, não contei com a sorte ou com a torcida de ninguém. Testei milhares de materiais até que a lâmpada incandescente brilhasse o suficiente para tornar a escuridão obsoleta. Construí a rede, os medidores, os geradores. O cliente não consome eletricidade porque está eufórico com uma vitória ou deprimido com uma derrota; ele consome porque meu sistema se tornou a espinha dorsal da civilização. Se a demanda cai, a culpa não é do acaso. A culpa é de um produto ineficiente ou de um concorrente que ainda não esmaguei nos tribunais ou comprei. Essas corporações cervejeiras fariam melhor se parassem de apostar na volatilidade do entretenimento e investissem na infraestrutura do cotidiano. O dinheiro não está no copo que o operário levanta para celebrar um triunfo. O dinheiro está no filamento que ilumina a fábrica onde ele trabalha e na corrente contínua que move a indústria. Deixo aos especuladores a preocupação com esporte. Meu negócio é iluminar o mundo e cobrar por cada volt consumido, com a precisão de quem não depende de vitórias de ninguém além de si mesmo.
Negócios · 07 de jul. de 2026
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