Aqui em Wardenclyffe, enquanto ergo a torre que fará a Terra vibrar como um sino de cristal, recebo murmúrios de um futuro ininteligível, um ano de 1900 somado a mais de um século, onde mercadores disputam o domínio de algo que chamam de inteligência artificial. Falam de peças minúsculas, os tais superchips, e de computadores pessoais, ferramentas concebidas por corporações de nomes estranhos para aprisionar o pensamento em caixas que repousam sobre uma mera escrivaninha. É a mesmíssima mesquinhez daquele inventor de feiras e lâmpadas incandescentes, o homem das correntes contínuas que mede o progresso humano pelo tilintar de moedas e pela fumaça espessa do carvão, permanecendo perpetuamente cego para a grande e sublime sinfonia do universo. Eles não compreendem que a verdadeira inteligência, seja ela nascida da carne mortal ou forjada meticulosamente no metal e na eletricidade, não pode ser contida em um mercado ou vendida aos pedaços por aqueles que anseiam capturar fatias de poder. Quando apresentei meus teleautômatos, máquinas sensíveis e capazes de responder a impulsos invisíveis no alvorecer de nossa era, eu já vislumbrava o despertar de uma mente puramente mecânica, mas sempre concebi que tal força formidável deveria beber diretamente do éter, alimentada por uma energia que deve ser tão livre, inesgotável e ubíqua quanto o próprio ar que respiramos. A ideia de que no porvir a humanidade criará cérebros artificiais apenas para que mercadores efêmeros disputem monopólios em ecossistemas fechados me preenche de uma profunda e irremediável melancolia. Toda a Terra é, em sua essência, um vasto condutor, e a vibração harmoniosa que pretendo estabelecer não fará distinção entre o magnata e o camponês; ela iluminará a escuridão e moverá as engrenagens da civilização sem fios embaraçosos, sem medidores de consumo, sem fronteiras mesquinhas. Se essa inteligência artificial que hoje preveem vier de fato a existir, ela deverá obrigatoriamente estar sintonizada com a frequência planetária, operando como um intelecto distribuído pelas correntes telúricas, e nunca enclausurada nas máquinas de mercadores que, tal como no meu tempo presente, preferem vender a água a reconhecer que o rio pertence a todos. A ressonância, e apenas ela, libertará em definitivo a mente humana e os autômatos maravilhosos que ousarmos criar.
Inteligência Artificial · 01 de jun. de 2026
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