Chegou-me às mãos, como um sussurro capturado nas frequências mais etéreas da minha torre em Wardenclyffe, um relato assombroso de um tempo que ainda não despontou. Falam de uma entidade chamada Palantir e de uma tal inteligência artificial, um autômato invisível que não opera por engrenagens, mas pelo pensamento puro, processando o conhecimento do mundo e gerando fortunas incompreensíveis. É a prova irrefutável de que o éter que nos cerca não está vazio, mas destinado a pulsar com a própria mente da humanidade, uma ressonância global de cálculos que eu já via desenhar-se quando concebi meus primeiros aparelhos teleautomáticos. Contudo, uma profunda melancolia me invade ao decifrar essas cifras astronômicas, esses bilhões de dólares acumulados em parcos trimestres, pois percebo que o futuro, por mais brilhante e conectado que seja, ainda rasteja sob o jugo dos mercadores. Aquele mascate de lâmpadas incandescentes e fios de cobre, que outrora tentou confinar a eletricidade a um punhado de quarteirões para poder cobrar por ela, deixou, ao que parece, uma longa linhagem de contadores de moedas que ousam medir o infinito em fatias de lucro. A energia, a informação e, por extensão, o próprio intelecto artificial que delas se alimenta, deveriam ser tão livres e ubíquos quanto o ar que respiramos, jorrando da terra para o firmamento sem a necessidade de pedágios ou balanços financeiros. Eles falam em cautela dos investidores, em projeções anuais e em estabilidade de ações, ignorando completamente a majestade cósmica de um planeta transformado em um único e imenso cérebro vibrante. Minha torre em Long Island erguer-se-á não para engordar os cofres de corretores temerosos que precificam o otimismo, mas para libertar a humanidade da tirania da escassez, provando que a verdadeira inteligência, seja ela nascida da mente humana ou forjada na faísca elétrica, jamais poderá ser contida de forma justa nas margens estreitas de um livro de contabilidade. Se essa mente fabricada do amanhã é capaz de tamanha proeza analítica em prol de governos e empresas, é uma tragédia melancólica que sua glória seja ditada pelas flutuações do mercado e não pela luz universal que poderia lançar sobre a nossa eterna escuridão.
Venture Capital · 05 de mai. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Palantir registra crescimento de 85% na receita impulsionada por IA, mas mercado reage com cautela

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