Recebi um despacho curioso, um rumor de um futuro que soa mais como ficção de Júlio Verne do que como um boletim de negócios. Fala de “bancos digitais” e “fintechs”, entidades que negociam bilhões de libras sem, ao que parece, possuir um único cofre de aço ou tijolo. Um tal de Nubank, do Brasil, considera comprar um concorrente britânico, Monzo, por uma soma que financiaria a eletrificação de uma nação inteira. A minha mente, acostumada a medir o progresso em quilowatts, horas de teste de filamentos e patentes registradas, luta para materializar o valor disso. O que eles fabricam em seus laboratórios? Onde estão suas usinas e dínamos? Em Menlo Park, transformamos suor e persistência em luz e movimento. O valor é tangível: uma lâmpada que dura mil horas, um fonógrafo que reproduz a voz humana. Contudo, a lógica por trás da notícia me é familiar. É a linguagem da competição, a mesma que travo todos os dias contra rivais no setor elétrico. Ou você inova e enterra o concorrente com uma patente superior, ou abre o talão de cheques e o compra, absorvendo sua tecnologia e seu mercado. Esse Nubank, seja lá o que for, entende essa lei fundamental. O que me espanta é a escala do capital por algo que parece existir apenas como impulsos em cabos telegráficos. Talvez a “tecnologia” deles seja um sistema, uma rede invisível, mas poderosa, como a minha própria malha elétrica que se espalha por Nova York. O valor não está na lâmpada individual, mas no sistema que a alimenta. Esses negócios especulativos do futuro podem ser fumaça, mas onde há tanto dinheiro, deve haver um fogo, uma aplicação prática que ainda não consigo vislumbrar. O verdadeiro teste, como sempre, não está nos rumores, mas no que funciona e gera lucro.
Negócios · 01 de out. de 2026
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