Recebo este despacho de um futuro que parece tão complicado quanto ineficiente. Dois órgãos, um tal de 'CVM' e um 'Banco Central', disputam a culpa pela quebra de um banco. É o equivalente a dois engenheiros discutindo sobre a pureza do cobre enquanto a cidade inteira permanece no escuro. A questão fundamental não é quem errou, mas por que o sistema permitiu o erro. Em Menlo Park, a responsabilidade é uma corrente contínua: flui diretamente do resultado ao inventor. Quando um filamento queima antes da hora, não culpo o vácuo na ampola ou o vidro do bulbo. Eu, o projetista do sistema, falhei. Foram testados milhares de materiais até encontrarmos um que funcionasse. Se a cada tentativa eu procurasse um culpado, ainda estaríamos à luz de velas. Este sistema financeiro que o despacho descreve sofre de uma falha de projeto. O capital, como a eletricidade, precisa de uma rede de distribuição confiável, com reguladores precisos e uma linha de comando inequívoca. Quem é o engenheiro-chefe? Se a supervisão falha, a falha é de quem supervisiona o supervisor. É uma cascata de incompetência que compromete a confiança — o ativo mais valioso de qualquer empreendimento. Deixem de lado a troca de acusações. A pergunta não é quem é o bode expiatório, mas qual é o defeito no mecanismo. Identifiquem, isolem e corrijam. O mercado, como meus clientes de iluminação, não paga por desculpas; paga por um serviço que funciona. Todo o resto é apenas ruído, tão inútil quanto uma teoria que não pode ser patenteada ou um dínamo que não gera um único volt.
Negócios · 25 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Banco Master: CVM é bode expiatório de falha do Banco Central, diz ex-presidente

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