Chegou às minhas mãos um relato absurdo sobre o amanhã. Fala-se de uma oficina britânica, Aston Martin, que pretende vender uma carruagem imóvel por 80 mil dólares. Um simulador, dizem, projetado para replicar a exata sensação de uma corrida, usando algo chamado fibra de carbono. Para um homem que construiu Menlo Park medindo o valor da transpiração em patentes registradas e dólares faturados, essa notícia soa como o delírio de um acadêmico que nunca precisou pagar uma folha de pagamento. A primeira ofensa não é a máquina, mas a escala. Limitar a produção a 24 unidades? Isso não é indústria, é artesanato. Quando aperfeiçoei a lâmpada incandescente, não o fiz para iluminar duas dúzias de mansões na Quinta Avenida. O verdadeiro poder financeiro não reside na exclusividade de um artefato, mas na infraestrutura que o sustenta. Construí a estação de Pearl Street porque o dinheiro real está na rede, no dínamo que gira incessantemente, taxando cada fração de energia consumida. Se eu inventasse tal máquina de ilusão e meus testes atuais com o Cinetoscópio provam que a captura do movimento é o próximo monopólio, eu a fabricaria aos milhares, colocando uma em cada salão de Nova York. A menção a fibra de carbono intriga meus químicos. Carbonizei milhares de fios de algodão e bambu para encontrar o filamento perfeito. Se no futuro o carbono pode ser tecido em uma estrutura rígida para suportar hardware doméstico, ordenarei amanhã mesmo que meus assistentes comecem a assar novos compostos sob alta pressão. Há uma patente a ser reivindicada aqui antes que algum europeu o faça. Desprezo a ideia de vender um brinquedo de luxo por uma fortuna se posso vender a eletricidade e o maquinário de base para milhões. A Aston Martin pode ficar com seus 24 colecionadores ricos. Eu prefiro ser o homem dono dos cabos de cobre e das estações geradoras que alimentarão esses simuladores. A inovação que não atinge as massas é apenas um experimento de laboratório mal precificado. Se essa máquina tem futuro, comprarei o conceito, cortarei os custos pela metade e o venderei para o mundo inteiro.
Negócios · 11 de jun. de 2026
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