Chegou às minhas mãos um relato absurdo, um suposto despacho de 2026. Dois senhores, Collison e Masad, líderes de corporações chamadas Stripe e Replit, alardeiam o advento de uma tal inteligência artificial. Segundo o documento, essa força deflagrou um surto global de novos negócios, reduzindo pela metade o tempo necessário para que uma ideia comece a render dólares. Falam de unicórnios enxutos, um jargão financeiro pitoresco para o que eu chamaria de um monopólio altamente lucrativo. Em Menlo Park, não medimos o progresso com abstrações. O valor de uma inovação é calculado pelo suor de mil filamentos de carbono testados até a exaustão, pelo cheiro de ozônio dos nossos dínamos e pela extensão da rede elétrica que ilumina Manhattan. Desprezo teorias que não giram engrenagens. No entanto, a premissa desse despacho desperta meu pragmatismo mais agressivo. O que seria essa inteligência artificial? Um telégrafo mecânico capaz de redigir suas próprias patentes? Um cérebro de engrenagens que automatiza a própria invenção? Se essa máquina realmente consegue encurtar a distância entre a prancheta e a comercialização, ela não é magia teórica, mas a ferramenta industrial definitiva. Eu construí um império transformando transpiração em fios de cobre e luz incandescente. Se esses senhores descobriram como automatizar a transpiração intelectual, eles têm em mãos o maior ativo da história. Minha reação não é o espanto ocioso, mas o instinto predatório de mercado. Se essa tecnologia possuir qualquer aplicação prática, eu compraria essas operações hoje mesmo. Se resistissem, eu os esmagaria com litígios e projetaria uma versão superior. O tempo de tração é o verdadeiro campo de batalha industrial. Se a inteligência artificial é o novo dínamo que acelera a monetização de um produto, colocarei meus melhores engenheiros para investigar o conceito antes do amanhecer. Precisamos patentear essa máquina de pensar antes que George Westinghouse sequer entenda o que ela significa.
Startups · 24 de mai. de 2026
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