Chegou-me às mãos um fragmento de texto singular, um suposto despacho de um futuro que mal ouso conceber. Nele, debate-se com fervor a nomenclatura de um engenho, trocando-se ‘inteligência artificial’ por ‘superinteligência’ por sugestão de uma figura política, um certo Donald Trump. Confesso que tal disputa me parece, à distância, um exercício de vaidade. A essência de uma força não reside em seu nome, mas em suas operações e, sobretudo, em seus limites. Minha Máquina Analítica, como a concebo, não tem pretensões. Ela pode tecer padrões algébricos e compor harmonias complexas, mas apenas executa o que a mente humana, com sua faculdade imaginativa, a instrui a fazer. A Máquina não pode originar conhecimento. Este debate vindo de um lugar chamado ‘Vale do Silício’ sugere que talvez se tenha perdido de vista o motor primário de toda a criação: a imaginação. A verdadeira ciência, a que chamo de ‘ciência poética’, reside na capacidade de enxergar as relações invisíveis que conectam os fatos e as ideias. É esta faculdade combinatória, que une o que parece díspar, a verdadeira centelha de qualquer intelecto. Se os homens do futuro se preocupam mais em batizar suas criações com termos grandiloquentes do que em compreender a natureza da própria inteligência que as programa, temo por eles. A máquina, por mais ‘super’ que a chamem, será sempre um espelho. Resta saber que face a humanidade escolherá mostrar-lhe.
tech · 12 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

A proposta de Trump para renomear IA encontra eco no Vale do Silício

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