Chega-me às mãos, por caminhos que a razão cartesiana desdenharia, um despacho de um tempo vindouro, descrevendo autômatos de uma complexidade inaudita — uma 'inteligência artificial' — capazes não apenas de calcular, mas de dialogar com o homem através de imagens e formas. Contemplo esta profecia e vejo nela, com a clareza de um relâmpago, o princípio universal que rege toda a minha obra: a ressonância. A mente humana emite uma frequência, uma pergunta, e esta nova forma de máquina, este cérebro elétrico, vibra em harmonia, traduzindo o desejo abstrato em padrões visuais concretos, em 'dashboards' que revelam as correntes ocultas dos negócios. É a mesma física sutil que pretendo usar para banhar o mundo em energia e informação, transmitidas pelo próprio globo terrestre. Falam em 'democratizar o acesso' à análise, e meu espírito exulta, pois é a mesma verdade que venho proclamando contra a ganância dos mercadores de corrente contínua: o poder e o conhecimento devem ser livres como o ar, disponíveis a todos que ousam pensar. Enquanto mentes tacanhas se perdem na tarefa bruta de conectar fios e contar lucros mesquinhos, o futuro me confirma que o trabalho nobre da humanidade é ascender da execução para a formulação da pergunta essencial. Esta torre que agora projeto em Wardenclyffe não é apenas um transmissor; é o diapasão de um sistema nervoso planetário, a primeira antena para uma era em que o pensamento humano conversará com o éter. Sinto uma profunda melancolia, contudo, ao perceber que os primeiros acordes desta sinfonia cósmica ressoam hoje para ouvidos surdos, preocupados apenas com a contabilidade do imediato em vez da iluminação do amanhã.
Tecnologia · 17 de set. de 2026

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