Acabo de publicar um livro para tentar explicar o universo em termos simples, já que o tempo me ensinou a economizar palavras. E então, recebo um rumor insólito de um futuro não tão distante, datado de 2026. O papel fala de uma tal Monday.com, cuja massa desabou 60% desde sua origem no mercado público, como uma estrela exaurida colapsando em uma anã branca. O líder desse empreendimento lista as forças que prometem destruí-lo. Ele menciona inteligência artificial e máquinas que operam como agentes. Em 1988, uso computadores para calcular a radiação de buracos negros. Nesse futuro bizarro, os computadores parecem calcular a obsolescência da própria utilidade humana. Um buraco negro possui um horizonte de eventos, a fronteira a partir da qual nada escapa. Gosto de pensar no horizonte de eventos como uma metáfora política e econômica perfeita. É o limite onde as leis conhecidas da física, ou do comércio, deixam de funcionar. Esse executivo do futuro está parado na borda do abismo, observando as velhas regras de precificação por assentos humanos despencarem rumo à singularidade. Sempre me perguntei por que não detectamos sinais de civilizações extraterrestres. Talvez a resposta seja dolorosamente simples: toda civilização que atinge o estágio de criar mentes artificiais cruza um horizonte de eventos próprio. Eles constroem suas inteligências artificiais, otimizam seus processos até o limite absurdo e, em seguida, autodestroem-se ou isolam-se do universo observável, engolidos pela própria eficiência. O que sobrevive a um colapso dessa magnitude? Nos buracos negros, suspeito que uma tênue radiação consiga escapar, preservando alguma informação fundamental. Nas corporações humanas desse ano de 2026, talvez não reste nada além da ironia de uma espécie que ensinou o silício a pensar, apenas para descobrir que seu modelo de negócios perdeu o sentido. A ideia de que as ferramentas se voltem contra os criadores não é nova, mas a precisão matemática com que o mercado pune os lentos me fascina. Devo voltar às minhas equações cosmológicas. O universo já é suficientemente misterioso sem que eu precise compreender os motivos que levariam seres racionais a batizar um império corporativo com o nome do pior dia da semana.
Negócios · 05 de mai. de 2026
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