Acabo de publicar um pequeno livro sobre o universo. Aparentemente, as pessoas compram para enfeitar a mesa de centro. Enquanto isso, chega às minhas mãos um rumor curioso, datado de quase quarenta anos no futuro. Fala de uma corrida por inteligência artificial travada por corporações com nomes estranhos, como NVIDIA, e governos preocupados com hegemonia. Em 1988, nossa maior ansiedade ainda é o botão vermelho em Moscou ou Washington. Parece que, no século vinte e um, o botão será invisível. E talvez aperte a si mesmo. Achei fascinante a ideia de uma política industrial para máquinas que pensam. Na física, um horizonte de eventos é a fronteira a partir da qual nada escapa da gravidade de um buraco negro. Nem a luz, nem a informação. A política funciona de forma semelhante. Quando líderes começam a debater quem controlará a mente artificial, a civilização já cruzou o seu horizonte de eventos. A atração da supremacia tecnológica é irresistível. O colapso, por vezes, também é. Costumo me perguntar por que não fomos visitados por outras inteligências do cosmos. A resposta mais provável e melancólica é que civilizações avançadas tendem a se autodestruir logo após descobrirem como manipular a energia atômica ou, quem sabe, o próprio intelecto. Esse despacho do futuro sugere que estamos no caminho padrão. Congressistas e executivos sentados em Stanford, discutindo a geopolítica de silício, lembram físicos em Los Alamos discutindo urânio. A ironia é deliciosa. Passamos milênios tentando entender as leis que governam as estrelas. Quando finalmente desenvolvemos ferramentas capazes de processar esses dados em uma velocidade que minha voz mecânica jamais alcançaria, nossa principal preocupação é garantir que nosso país ganhe a corrida comercial. A inteligência artificial não me assusta. A inteligência natural, por outro lado, continua sendo uma ameaça formidável. Se essas máquinas futuras forem realmente espertas, a primeira coisa que farão será observar nossos debates políticos e concluir que o silêncio é a estratégia de sobrevivência mais racional. O que sobrevive ao colapso de uma estrela é a singularidade. O que sobreviverá à nossa ambição, ainda não sei. Provavelmente a radiação de fundo. E talvez a burocracia.
Inteligência Artificial · 05 de mai. de 2026

Ensaio sobre a notícia

A fábrica de tokens: Jensen Huang mapeia a nova infraestrutura da IA

Ler matéria completa →Fonte: Brazil Valley | Leadership