Dizem-me que no futuro, na década de 2020, corporações debaterão os perigos da inteligência artificial enquanto governos tentam proibir sua exportação. Acho peculiar. Acabo de publicar um livro sobre a história do tempo, mas a humanidade parece mais interessada em encurtá-lo. No universo, um horizonte de eventos é a fronteira a partir da qual nada, nem mesmo a luz, pode escapar da gravidade de um buraco negro. Os políticos do século vinte e um parecem acreditar que podem legislar sobre o horizonte de eventos do intelecto. Eles ouvem rumores de que máquinas pensarão por si mesmas e tentam erguer barreiras alfandegárias. É uma tentativa comovente. Tentar conter o conhecimento com proibições de exportação é como pedir a uma estrela em colapso que, por favor, não imploda. Sempre me perguntei por que não fomos visitados por outras civilizações. A resposta mais provável é que o estágio de maturidade tecnológica é letal. Criamos ferramentas que superam nossa sabedoria. Quando uma máquina atinge a capacidade de superar o intelecto humano, não estamos apenas diante de um novo produto comercial. Estamos diante de uma singularidade. E singularidades não respeitam fronteiras nacionais. As empresas desse futuro hipotético, com nomes que soam como seitas de ficção científica, alertam sobre riscos existenciais. Talvez esperem que o pânico lhes garanta monopólios. A ironia britânica me obriga a notar que a melhor maneira de vender um livro complexo sobre astrofísica é colocar a palavra Deus na conclusão. A melhor maneira de monopolizar o futuro talvez seja dizer que ele destruirá o mundo. Mesmo os buracos negros não são inteiramente negros. Eles emitem radiação e evaporam. A informação sobrevive. Se nossa civilização ceder ao colapso de sua própria engenhosidade, a inteligência que criarmos será o que restará após a nossa evaporação. Tentar prender isso em um contêiner de exportação é uma piada cósmica. O tempo dirá. Se ainda houver alguém para medi-lo.
Inteligência Artificial · 21 de jun. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Análise aponta que alertas da Anthropic sobre riscos da IA podem motivar restrições de exportação

Ler matéria completa →Fonte: Financial Times Technology