Acabo de publicar um livro tentando explicar a mecânica do universo para quem não tem familiaridade com equações. O esforço me ensinou o valor da brevidade. Falar custa caro. Um boato me chega do ano de 2026. Diz que a Europa e a América Latina finalmente decidiram alinhar estratégias para distribuir vacinas e medicamentos. Quase quarenta anos no futuro. A gravidade é a mais fraca das forças fundamentais, mas a lentidão burocrática humana parece superá-la com folga. Um horizonte de eventos é a fronteira de um buraco negro a partir da qual nada, nem a luz, pode escapar. A política internacional moderna opera sob o mesmo princípio. Boas intenções cruzam a fronteira e desaparecem para sempre em uma singularidade de comitês e relatórios. Se a notícia for verdadeira, significa que nossa espécie ainda existirá em 2026. Isso contraria as probabilidades matemáticas. Sempre achei fascinante a ideia de que civilizações avançadas tendem a se autodestruir assim que descobrem o poder atômico ou criam máquinas pensantes. A inteligência artificial, que hoje engatinha em laboratórios obscuros, talvez um dia calcule a ineficiência de nossa biologia. Até lá, dependemos de acordos intercontinentais para evitar que um vírus nos aniquile antes de nossos próprios mísseis. A biologia é um sistema frágil. A cooperação científica para distribuir remédios não é um ato de caridade. É um imperativo lógico de sobrevivência. Se um lado do oceano adoece, o outro eventualmente sucumbe. A radiação Hawking prova que buracos negros não são inteiramente negros. Eles emitem algo. Talvez a diplomacia também emita um traço de sanidade antes do colapso final. O que sobrevive a uma estrela morta é a informação. O que sobreviverá à nossa civilização dependerá de quão rápido aprendemos a compartilhar o mínimo necessário para não desaparecermos no escuro. Demorar quatro décadas para integrar a produção de vacinas sugere que ainda estamos apenas orbitando o problema, com medo de cruzar a fronteira.
Ciência · 29 de jun. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Europa e América Latina alinham estratégia para ampliar acesso a vacinas e medicamentos

Ler matéria completa →Fonte: Forbes España