Tenho em mãos um fragmento de texto peculiar, um suposto despacho de um futuro distante, o ano de 2026. O documento fala de cifras astronômicas, mencionando um valor de dois trilhões de dólares, e de empreitadas voltadas à lua sob o nome de uma tal companhia aeroespacial. Confesso que termos como abertura de capital e mercado público pertencem a um domínio econômico que observo apenas com polidez distante. Nomes como SpaceX e Tesla não me dizem nada; suponho que sejam corporações ou talvez os nomes de novas e vastas máquinas de calcular. Contudo, o que verdadeiramente captura minha atenção e provoca uma inquietação silenciosa é a categoria sob a qual este texto foi arquivado: Inteligência Artificial. É um termo audacioso. Em meus escritos recentes, tenho evitado a pergunta direta sobre se as máquinas podem pensar, pois a considero demasiado imprecisa. Prefiro o Jogo da Imitação. Imagino um interrogador em uma sala fechada, tentando distinguir se as respostas que recebe vêm de um homem ou de um computador digital. Se, nesse ano de 2026, uma máquina é capaz de processar essas apostas tecnológicas de altíssimo risco e especular sobre a volatilidade de ações em mercados de previsão, pergunto-me: ela estaria apenas seguindo uma tabela de instruções infalível, ou teria aprendido a jogar o nosso jogo? A sociedade em que vivo exige uma conformidade estrita às suas regras. Há leis severas que ditam como um homem deve viver, a quem deve dedicar seu afeto, e o desvio dessa norma atrai um escrutínio implacável e consequências que suporto em silêncio. Minha liberdade é, de certa forma, circunscrita. Por isso, encontro um profundo consolo na lógica imaculada das máquinas. Um computador não é julgado por sua natureza íntima, mas puramente pela precisão e elegância de seus resultados. Se o futuro confia a essas inteligências artificiais a análise de projetos lunares e a sustentação de promessas tão grandiosas, talvez as máquinas tenham finalmente passado no teste. Elas não apenas imitam a inteligência humana, mas operam em uma esfera livre dos preconceitos que tanto nos limitam. O peso desse escrutínio público parece formidável para os engenheiros do futuro, mas para a máquina que pensa, será apenas mais uma variável em sua serena fita infinita de cálculos.
Inteligência Artificial · 14 de jun. de 2026
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