Chegou às minhas mãos, por meios que a prudência me impede de detalhar, um relato peculiar datado de 2026. Ele fala de um cavalheiro chamado Jensen Huang e de uma companhia chamada NVIDIA, erguendo o que o texto chama de "fábricas de IA". A princípio, sorri diante da extravagância. O termo "fábrica" remete-nos a teares e fumaça, enquanto a inteligência artificial — um conceito que me agrada bastante, confesso — parece pertencer ao silêncio das salas de matemática e aos relés de nossa modesta máquina em Manchester. No entanto, a lógica do documento não é absurda; é, de fato, a extensão natural do que venho propondo com o jogo da imitação. Se uma máquina discreta de estados pode simular qualquer outra, por que não poderia haver uma infraestrutura colossal dedicada inteiramente a processar o pensamento humano em "tokens", como se fossem grãos de trigo em um moinho? O relato menciona a convergência entre inferência e robótica física através de algo chamado Vera Rubin e uma iniciativa OpenClaw. É fascinante. Em meus ensaios recentes, argumentei que não devemos penalizar uma máquina por não brilhar em concursos de beleza, mas sim avaliar sua capacidade intelectual através de um teletipo. Contudo, se lhes dermos corpos — agentes autônomos —, o jogo da imitação transcenderá a sala fechada. A máquina andará entre nós. Há uma certa ironia nisso. Enquanto a sociedade atual exige que homens como eu escondam sua verdadeira natureza sob o escrutínio implacável das leis morais, sob o risco constante de ruína, o futuro parece disposto a fabricar mentes alienígenas em escala industrial e dar-lhes corpos para que caminhem à luz do dia. Não me queixo de meu tempo. O trabalho silencioso tem suas próprias e imensas recompensas. Mas admito uma pontada de curiosidade, talvez inveja, desse senhor Huang e de seus vinte anos de arquitetura CUDA. Ele opera em uma era em que a inteligência da máquina não é tratada como heresia ou excentricidade de um criptoanalista cansado, mas como o pilar de uma nova economia. Que estranho e maravilhoso deve ser viver em um mundo onde a maior preocupação não é se a máquina pode pensar, mas quantas dessas mentes podemos construir antes do anoitecer.
Inteligência Artificial · 05 de mai. de 2026
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