Recebi um fragmento de texto, um rumor vindo de um futuro que me parece quase inconcebível. Descreve uma economia inteira, com 'investidores' e 'mercados', girando em torno do que chama de 'IA', ou inteligência artificial. Pergunto-me se esta é a mesma questão que me consome: podem as máquinas pensar? O despacho fala de 'chips' e 'semicondutores' como alicerces de um vasto empreendimento industrial, cujas fortunas sobem e descem não pelo que as máquinas são, mas pelo que se projeta que venham a ser. É espantoso. Enquanto luto para obter os recursos mais básicos para construir um calculador com programa armazenado, este texto sugere que, no futuro, a capacidade de computação será um bem tão comum que seu valor flutuará em bolsas de valores.
A ideia de que o meu Jogo da Imitação — um teste filosófico para sondar a inteligência de uma máquina — possa um dia ter seu resultado 'precificado' me perturba e fascina. O que significa uma 'projeção abaixo do esperado' para a inteligência? Que a máquina em questão seria um interlocutor menos convincente no jogo? Que sua capacidade de aprender xadrez, ou de compor um soneto, evoluirá mais lentamente do que alguns homens de negócios gostariam? É um mundo em que a própria promessa do pensamento se tornou uma mercadoria. Aqui, sou questionado pela simples ousadia da minha pergunta, enquanto lá, parece, a única pergunta que importa é o quão rápido e lucrativo o pensamento pode se tornar. Sinto-me como alguém que acendeu uma vela num quarto escuro, apenas para vislumbrar, num relance, o clarão de um sol distante.
Inteligência Artificial · 29 de ago. de 2026
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