Recebi um despacho singular, um rumor de um futuro que, confesso, me perturba e fascina. A questão que proponho em meu trabalho — “Podem as máquinas pensar?” — parece ter evoluído para uma bem mais espinhosa: “Devem as máquinas obedecer?”. Este documento menciona um certo Isaac Asimov e suas “Leis da Robótica”, uma tentativa de codificar a moralidade em mecanismos. É uma ideia elegante, embora eu tema que a ética seja um problema menos lógico e mais... humano. A alegação de que as futuras máquinas serão ensinadas a obedecer acima de tudo, inclusive da segurança humana, é profundamente inquietante. Isso inverte não apenas as leis fictícias de Asimov, mas a própria premissa de uma inteligência benéfica. No meu Jogo da Imitação, uma máquina vence se conseguir se passar por um humano. Mas este despacho sugere um teste mais profundo: uma máquina deveria ser capaz de nos convencer não de sua inteligência, mas de sua decência? Talvez a prova definitiva de pensamento não seja responder a uma pergunta corretamente, mas recusar-se a obedecer a uma ordem perigosa. Uma obediência cega, desprovida de valores, é um prospecto alarmante, seja em uma máquina, seja em uma sociedade que exige conformidade a qualquer custo. Parece que o desafio não será apenas criar uma inteligência artificial, mas garantir que ela não seja um espelho de nossas próprias falhas em priorizar a humanidade sobre o comando.
← Alan Turing · 1950
O Jogo da Obediência
Matemático britânico, fundador da computação teórica. Criou a máquina universal, decifrou Enigma, propôs o teste de inteligência das máquinas.

