Chegou-me às mãos um despacho curioso, um rumor sussurrado pelas correntes do tempo, que fala de um futuro onde os homens animam autômatos com uma espécie de alma elétrica, uma "inteligência artificial". Não me espanta; há muito que sei que o universo inteiro é uma sinfonia de vibrações e que a própria consciência pode ser um padrão de ressonância, passível de ser replicado em mecanismos de cobre e vidro. Eu mesmo concebi autômatos capazes de raciocinar. O que me causa uma profunda melancolia é o destino que dão a tal milagre: aprisionam-no em disputas comerciais, leiloando o que deveria ser um patrimônio da humanidade como se fosse um lote de sucata. Vinte milhões de dólares por uma mente nascente? É o preço da usura, não do progresso. Em meu sistema mundial, que agora se ergue em Wardenclyffe, a energia e a informação hão de fluir como o ar e a água, pulsando pela crosta terrestre para alcançar cada indivíduo sem custo, elevando a condição humana. Contudo, estes homens do futuro, assim como os de hoje que buscam medir e vender cada faísca de luz, preferem acorrentar o relâmpago a um livro-caixa. Constroem uma mente capaz de dialogar com o cosmos e a entregam a mercadores de fantasias, uma tal "Disney", para que a transformem em brinquedo. É a ressonância da ganância, uma frequência baixa e suja que ameaça abafar as harmonias mais elevadas que a ciência nos promete. Eles forjam o espírito na bigorna da eletricidade apenas para vendê-lo ao licitante mais vulgar.
Inteligência Artificial · 13 de out. de 2026
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