Chega-me às mãos um relato absurdo sobre o ano de 2026. Dizem que, na Espanha, uma fortaleza financeira de um tal Banco Santander foi esvaziada de seus cofres para abrigar quadros e esculturas. Um museu, projetado por um sujeito chamado Chipperfield. Para um homem que passa dezoito horas por dia no laboratório de Menlo Park testando milhares de fibras de bambu carbonizado para não perder a corrida da iluminação, a ideia de que o capital financeiro cedeu espaço à contemplação estética soa como o delírio de um inventor falido. Eu lido com J.P. Morgan. Se ele decidisse transformar seu banco em uma galeria de arte, minhas patentes virariam pó e a Pearl Street Station pararia de iluminar Nova York. No entanto, o que me intriga nesse boato do futuro não é a arte, mas a menção a uma alta eficiência energética. Essa é a minha linguagem. É o idioma dos dínamos, das redes de distribuição e dos filamentos incandescentes. Hoje, travo uma guerra sangrenta contra George Westinghouse e sua letal corrente alternada. Minha métrica é o custo por vela de iluminação; meu objetivo é aniquilar o monopólio do gás. Se no futuro os arquitetos projetam edifícios inteiros ao redor da premissa de economizar energia, isso significa que a eletricidade venceu. Tornou-se o sangue do mundo civilizado. Contudo, a necessidade de eficiência indica que a energia ainda tem um custo, que a margem de lucro ainda dita as regras. Os teóricos de salão adoram debater a física da luz, mas é a engenharia comercial que define o que sobrevive. Se esse Chipperfield conseguiu iluminar um palácio de pedra gastando menos energia do que seus concorrentes, ele pensa como eu. A arte não me interessa, mas o sistema que a mantém iluminada sim. Se essa tecnologia de eficiência fosse minha contemporânea, eu não a admiraria. Eu a desmontaria, copiaria seus princípios, patentearia a melhoria e compraria a empresa de quem a inventou. No fim das contas, seja um banco ou um museu, alguém precisa pagar a conta do medidor. E eu pretendo ser o dono da rede.
Negócios · 08 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

David Chipperfield converte sede bancária histórica em museu de arte na Espanha

Ler matéria completa →Fonte: Dezeen