Chegou-me às mãos um relato absurdo, supostamente de um futuro distante, afirmando que o The New York Times abandonará a tinta e o papel para se dedicar às imagens em movimento, ou "vídeo", como chamam. O motivo? Defender-se de uma tal "inteligência artificial", uma máquina teórica capaz de vomitar textos baratos e de baixa qualidade em escala industrial. Sorrio ao ler isso em meu laboratório em Menlo Park, cercado pelo cheiro de ozônio e vidro quente. A teoria pura sempre foi o refúgio dos tolos, mas a aplicação comercial dessa automação da escrita me parece uma ameaça fascinante. Se uma engrenagem ou circuito elétrico pode redigir notícias sem exigir salário, o valor da palavra escrita despenca a zero. A reação do editor do Times é a única atitude pragmática possível: quando o seu produto principal é desvalorizado por uma patente concorrente, você muda o campo de batalha para uma tecnologia superior. Eles estão migrando para o meu território. O que esse relato chama de "vídeo" nada mais é do que a evolução natural do meu Cinetoscópio, que já venho aperfeiçoando com quilômetros de película de celuloide. No entanto, pergunto-me como planejam distribuir essas imagens em movimento para milhões de assinantes simultaneamente. Acaso estenderão redes de cobre mais vastas que as das minhas estações de Pearl Street? Exigirão dínamos monstruosos em cada esquina para alimentar as lâmpadas incandescentes necessárias para projetar tais visões diárias? A eletricidade será a espinha dorsal de tudo isso. A IA pode até gerar palavras como um autômato de feira, mas não pode forjar a realidade da luz capturada em movimento. A imagem exige energia, filamentos resistentes, infraestrutura física que não se inventa em lousas de universidade. Se o jornal precisa de imagens para sobreviver à enxurrada de falsificações textuais, eles precisarão de mim. Precisarão das minhas patentes. Cada rolo de celuloide, cada lâmpada e cada gerador que sustentar essa nova era da informação terá a marca da Edison General Electric Company. A concorrência mecanizada não me assusta; ela apenas cria um novo mercado sedento por máquinas mais complexas, e eu farei questão de cobrar os devidos royalties por cada segundo de luz que afastar a escuridão dessa tal inteligência sintética.
Negócios · 08 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

New York Times acelera aposta em vídeo para combater avanço de conteúdo gerado por IA

Ler matéria completa →Fonte: Business Insider