Chegou às minhas mãos um relato absurdo, uma suposta correspondência do futuro que fala em uma Europa produzindo 'unicórnios' semanais, empresas avaliadas em bilhões de dólares, movidas por algo chamado 'inteligência artificial'. A premissa me parece tão fantasiosa quanto o nome da criatura mitológica que usam para descrevê-la. Um bilhão de dólares é a riqueza de impérios, não o valor de uma oficina de invenções. E o que seria essa inteligência artificial? Presumo tratar-se de um autômato elétrico, uma máquina de calcular complexa o suficiente para simular o raciocínio humano, talvez uma evolução dos relés telegráficos operando em redes vastas. Os europeus sempre foram exímios em teorias elegantes. Eles desenham esquemas no papel, debatem em academias e esperam que o mundo os aplauda. Eu não tenho paciência para a teoria pura. Em Menlo Park, medimos o progresso em horas de exaustão e em dólares garantidos pelo escritório de patentes. Testei milhares de materiais, do fio de algodão ao bambu, apenas para encontrar o filamento perfeito que faria a lâmpada incandescente brilhar de forma duradoura. A inovação não nasce de teses de investimento ou de projeções otimistas, mas do suor nas bancadas de teste. Contudo, se há alguma verdade nesse rumor do futuro, minha mente se volta imediatamente para a infraestrutura. Essa tal inteligência artificial não operará no vácuo. Se é uma engrenagem elétrica, precisará de corrente contínua. Precisará de dínamos girando dia e noite, de toneladas de cobre enterradas sob as ruas, de usinas de geração robustas como a minha estação de Pearl Street. É aí que reside o verdadeiro poder financeiro. Deixem que os europeus criem seus modelos e teses acadêmicas. Se essa engenhoca provar ter qualquer utilidade comercial prática, eu não hesitarei. Colocarei meus melhores engenheiros para dissecar o mecanismo, contornarei suas patentes ou comprarei os inventores falidos antes que percebam o valor real do que têm nas mãos. Uma máquina que pensa só tem valor tangível se puder ser fabricada em massa, patenteada com rigor e, acima de tudo, se pudermos cobrar mensalmente pela energia que a mantém viva. O resto é apenas delírio para entreter especuladores.
Startups · 04 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Europa ensaia novo ritmo de criação de unicórnios com foco em startups nativas de IA

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