Chegou às minhas bancadas um relato absurdo, supostamente de um futuro distante, descrevendo máquinas pensantes e viagens ao espaço sideral capitaneadas pelo Império Chinês. Desprezo ficção científica. Deixo as viagens à lua para os romances de Julio Verne e as teorias etéreas para acadêmicos europeus que preferem o quadro-negro à fuligem do laboratório. No entanto, o jargão comercial deste documento me intriga. Falam de uma tal 'inteligência artificial' capaz de guiar o consumo de artigos de luxo. Se essa máquina é um autômato calculista superior à máquina de Babbage, capaz de prever o comportamento humano para extrair dólares de forma sistemática, eu pergunto imediatamente: quem detém a patente? Uma máquina que organiza a oferta e a demanda não é magia, é engenharia mecânica e elétrica aplicada. Se um motor pode girar um dínamo e iluminar a Rua Pearl, um circuito complexo talvez possa processar dados comerciais através de relés e interruptores. Mas o que mais me espanta é o protagonismo da China. Conheço o Oriente como um vasto fornecedor de bambu para os testes dos meus filamentos incandescentes, não como um celeiro de invenções. Se essa nação agrária dominar autômatos de venda e foguetes antes de nós, significa que falhamos em patentear e monopolizar as bases dessa tecnologia. A inovação não é um fim moral, é uma corrida territorial implacável. O relatório também menciona que o comércio futuro dependerá de 'conexão emocional' em vez de pura utilidade. Como inventor do fonógrafo, sei que as pessoas pagam alto para ouvir vozes engarrafadas em cilindros por puro fascínio. O luxo é apenas a comercialização metódica da vaidade. Se essa inteligência artificial serve para otimizar a venda de vaidade em escala global, ela é a ferramenta definitiva de monopólio. Não me importa se a engenhoca pensa de fato ou se apenas simula o raciocínio através de correntes elétricas. O que importa é o rendimento financeiro por hora de operação. Se o futuro pertence aos mecanismos que ditam o consumo, ordenarei amanhã mesmo que os rapazes em Menlo Park comecem a desenhar circuitos de triagem lógica. O mercado não espera por teóricos, ele pertence a quem o eletrifica e comercializa primeiro.
Moda · 06 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

O novo consumidor de luxo e a transição tecnológica do varejo na China

Ler matéria completa →Fonte: Business of Fashion