Recebi um despacho curioso, repleto de termos fantásticos sobre carruagens sem cavalos e companhias de nomes desconhecidos, Ford e Toyota. A veracidade do papel é duvidosa, mas a lógica comercial descrita nele é sólida como ferro. A essência da manobra é esta: uma empresa supera a outra não por uma invenção radical, mas por dominar o mercado de seus próprios produtos já usados. Eles os inspecionam, os “certificam” — uma palavra que cheira a patentes e processos rigorosos, como os que emprego em Menlo Park — e os revendem. É genial em sua simplicidade. Isso me obriga a pensar. Dedicamos milhares de horas e incontáveis dólares para aperfeiçoar um filamento, para que dure mil e duzentas horas. E depois? O cliente compra outro. Mas e se houvesse um negócio na própria carcaça da lâmpada gasta? E nos dínamos que são substituídos por modelos mais potentes? Este Ford, se é que existe, não vende apenas o produto; ele controla o ciclo de vida inteiro. Ele lucra com a fabricação e, depois, com a obsolescência. A escassez de produtos novos, citada como motivo, é a oportunidade. Onde outros veem um problema de produção, este homem vê um novo mercado. Não se trata de vender máquinas; trata-se de vender um serviço garantido, seja com um aparelho novo ou um usado e confiável. A competição do futuro, ao que parece, não será apenas entre inventores no laboratório, mas entre financistas e gerentes que extraem valor de cada peça de um sistema, do novo ao desgastado. É um lembrete de que a persistência na bancada de testes deve ser igualada pela agressividade no mercado. Cada dólar, seja de uma patente nova ou de um reparo certificado, deve ser nosso.
Negócios · 20 de out. de 2026
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