Chegou-me às mãos um relato absurdo sobre o futuro, um boato datado de 2026. Fala de uma fábrica de sapatos chamada Allbirds que demitiu seus operários, abandonou o couro e a borracha, e converteu-se em uma fornecedora de infraestrutura de inteligência artificial sob o nome Smartbird. Meus engenheiros em Menlo Park riram da ideia de sapateiros construindo mentes mecânicas. Eu não ri. Vejo neste movimento a mesma pragmática impiedosa que aplico aos meus dínamos. O que é um sapato senão um utilitário banal, sujeito à cópia e à concorrência de qualquer mascate? A margem de lucro real reside na exclusividade da rede, não na mercadoria substituível. Quando concebi a lâmpada incandescente, o filamento de bambu carbonizado era apenas a isca. O verdadeiro império era a infraestrutura: a estação geradora de Pearl Street, os cabos de cobre subterrâneos, os medidores nas casas. A lâmpada não é nada sem a corrente elétrica que eu controlo e cobro por hora. Se essa tal inteligência artificial for o que o nome sugere — autômatos calculistas ou maquinários capazes de mimetizar o raciocínio —, desprezo profundamente a teoria acadêmica por trás dela. O que me interessa é a força motriz e a patente do processo. Essa senhora Nadia Carlsten percebeu que vender a máquina final é muito menos rentável do que vender os trilhos e a energia que a alimentam. Infraestrutura é o monopólio invisível e inev inevitável. Abandonar o varejo para fornecer a espinha dorsal de uma nova indústria é um movimento de brutalidade comercial calculada, digno das minhas melhores batalhas judiciais. Eles deixaram os tolos brigarem pelas vitrines e foram monopolizar a fundação de um novo setor. Não conheço a física ou os fios que compõem essa IA, mas reconheço instantaneamente o faro para o capital monopolista. Se essa Smartbird operasse hoje e cruzasse o caminho da Edison General Electric, eu não hesitaria. Primeiro, tentaria comprar suas patentes base por uma fração do valor. Se recusassem, eu os esmagaria nos tribunais com litígios intermináveis antes que seu primeiro cérebro artificial pudesse ser ligado à minha tomada. O valor de qualquer invenção nunca está na sua suposta magia, mas exclusivamente em quem tem o direito legal de cobrar o pedágio por ela.
Tecnologia · 17 de jun. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Allbirds vira Smartbird — o salto radical de uma empresa de calçados para a infraestrutura de IA

Ler matéria completa →Fonte: Business Insider