Chega-me às mãos, em Menlo Park, um relato absurdo sobre o ano de 2026. Dizem que o governo em Madri gastará dezenas de milhões de uma moeda desconhecida para salvar pescadores da ruína. O motivo? O custo de um óleo pesado, que chamam de diesel, encarecido por conflitos no Oriente. É a quintessência do fracasso comercial e da falta de engenhosidade. Se um setor precisa de esmolas estatais para operar suas máquinas, a falha não está na geopolítica, mas no projeto do motor. Aqui em meu laboratório, não subsidiamos o fracasso. Nós o substituímos. Quando o gás se provou caro e perigoso para iluminar Nova York, eu não pedi ao governo que pagasse a conta das companhias tradicionais. Eu projetei um filamento de bambu carbonizado, construí os dínamos na Pearl Street e ergui uma rede elétrica que tornou a chama obsoleta. O valor de uma inovação mede-se pelos dólares que ela gera e pelas patentes que a protegem, não por teorias econômicas de gabinete. Dizem que esse combustível líquido move milhares de embarcações espanholas e depende das areias do que hoje conhecemos como Império Otomano. Que insanidade logística. Por que ancorar a viabilidade de uma frota pesqueira a um recurso extraído do outro lado do mundo? Se me dessem o problema hoje, eu colocaria meus engenheiros para testar dez mil combinações de acumuladores elétricos. Baterias robustas e de alta capacidade, concebidas para o ambiente marítimo. O futuro da força motriz não está em queimar óleo de forma dispendiosa, mas em armazenar energia gerada de forma barata e eficiente. Se essa correspondência for verdadeira, sinto pena dos industriais desse tal século vinte e um. Eles parecem ter esquecido que o mercado não perdoa a ineficiência. Um negócio que sangra capital por depender de um combustível volátil é uma carcaça esperando para ser comprada, patenteada ou destruída pela concorrência. Em vez de assinar cheques de resgate, a Espanha deveria financiar laboratórios de aplicação prática. Onde a Europa enxerga uma crise para remediar com subsídios, eu vejo um monopólio obsoleto pronto para ser desmantelado por uma nova invenção.
Negócios · 18 de jun. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Governo espanhol libera 68 milhões de euros para socorrer frota pesqueira

Ler matéria completa →Fonte: Forbes España