Chegou-me às mãos um despacho curioso, supostamente vindo do futuro, sobre uma empresa chamada Apple, que dizem ser a mais valiosa do mundo. Mais que os impérios ferroviários ou o aço de Carnegie? Duvido, mas o exercício é intrigante. O relato menciona a sucessão de seu comando, entregue a um especialista em 'hardware', um tal John Ternus. Isso me agrada. É um sinal de que, mesmo nesse futuro distante, o valor reside no que é tangível. Um homem que entende de oficinas, de materiais, da diferença entre um protótipo e um produto fabricável em escala industrial. A teoria é barata; a execução é tudo. Falam de um aparelho chamado 'iPhone', que parece ter sido a base da fortuna dessa companhia. Um fonógrafo de bolso? Um telégrafo pessoal? Não importa. O que importa é que, como a minha lâmpada, seu sucesso depende de um sistema. A lâmpada é inútil sem o dínamo, os condutores, a estação geradora. O valor está na rede. A maior perplexidade, contudo, é a menção a uma 'inteligência artificial'. Máquinas que pensam? É um conceito para romancistas, não para inventores. A inteligência não se fabrica em laboratório; o que se fabrica são ferramentas. A menos que seja um nome pomposo para um sistema de automação ou comutação telegráfica, não vejo sua utilidade prática ou comercial. Se este Ternus for sábio, concentrará seus recursos não em abstrações como a 'IA', mas no próximo produto físico, na patente que garantirá seu monopólio e na infraestrutura para vendê-lo. O futuro, como o presente, pertence a quem transpira sobre a bancada, não a quem apenas especula. O resto é fumaça.
Negócios · 01 de set. de 2026
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