Recebo este relato absurdo sobre um tal Sam Altman e sua OpenAI, uma companhia de um futuro distante que supostamente fabrica uma inteligência artificial chamada ChatGPT. O termo me soa como o charlatanismo dos acadêmicos europeus que desenham equações na lousa e nunca queimaram os dedos soldando um filamento de bambu carbonizado. Inteligência não se fabrica no vácuo; ela é o subproduto de dez mil tentativas fracassadas em uma bancada de testes. Dizem que esse Altman está atrasando a abertura de capital de sua empresa, acalmando funcionários sedentos por liquidez e temendo o escrutínio público de Wall Street. Nisso, ao menos, o sujeito demonstra um pragmatismo rudimentar. Quando instalei o primeiro dínamo na Pearl Street, J.P. Morgan e os financistas queriam resultados imediatos, dividendos antes mesmo de a rede elétrica iluminar o primeiro quarteirão de Nova York. O capital é covarde até ver a lâmpada acender, momento em que se torna abutre. Contudo, o que exatamente essa OpenAI vende? Máquinas de tagarelar? Se esse ChatGPT é apenas um fonógrafo mais sofisticado, uma engenhoca que simula a fala humana, eu o compraria por uma ninharia e o colocaria em bonecas para o Natal. Se não gera patentes industriais sólidas, se não substitui o trabalho braçal por tração mecânica ou elétrica, não passa de um brinquedo para mentes ociosas. Meus homens em Menlo Park não recebem promessas de ações futuras para especular na bolsa; eles recebem o salário da semana para derreter chumbo, enrolar cobre e testar as redes de distribuição. A opcionalidade que esse Altman busca não é estratégia financeira, é o medo genuíno de que o mercado descubra que sua invenção não possui aplicação prática que justifique o custo. Uma empresa de verdade não foge dos auditores. Ela constrói a infraestrutura física, patenteia cada engrenagem, esmaga a concorrência de teóricos românticos como Tesla e dita as regras do século pelo peso irrefutável de sua utilidade comercial.
Venture Capital · 22 de mai. de 2026
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