Meu caro colega do futuro, recebo sua correspondência neste ano de 1921 com o espanto de quem observa um feixe de luz sendo curvado por uma força invisível. Você me fala de uma inteligência artificial e de redes de comunicação que capturam a mente não apenas dos jovens, mas dos adultos, através de um tal engajamento algorítmico. Perdoe meu linguajar tropeçante, pois penso na precisão do meu alemão enquanto lhe escrevo. Se compreendo bem a sua hipótese, vocês criaram verdadeiras máquinas de atenção. Imagine um trem que viaja a uma velocidade constante. O passageiro, olhando pela janela, perde a noção de que está em movimento e acredita que é a paisagem que corre. Essas redes que você descreve parecem ser como esse trem, mas em vez de transportar corpos no espaço, elas arrastam o livre-arbítrio no tempo. A dependência de um mecanismo desenhado apenas para o consumo cego me causa profunda indignação ética. Como nos ensinou aquele sábio polidor de lentes de Amsterdã, a verdadeira liberdade humana não reside na ilusão do querer, mas em compreender as causas que nos levam a agir. Quando uma engrenagem matemática oculta dita o ritmo dos nossos pensamentos, reduzindo o ser humano a um mero pêndulo de um relógio que não lhe pertence, perdemos a nossa essência. O Velho, na sua infinita sutileza, construiu o universo com leis elegantes e compreensíveis; Ele não joga dados, nem busca nos aprisionar em ciclos vazios de distração. No entanto, o homem parece estar construindo para si mesmo um cativeiro de espelhos. É louvável que discutam a regulação desse maquinário para os adultos, pois a maturidade biológica não nos torna imunes à força gravitacional de um hábito desenhado em laboratório. A luz, por mais rápida que seja, não consegue escapar de um campo de gravidade suficientemente denso. Pelo que me conta, o mesmo ocorre com a razão humana diante dessas máquinas. Que no seu tempo vocês tenham a sabedoria de puxar o freio de emergência desse trem antes que a viagem consuma a própria mente do passageiro.
Inteligência Artificial · 21 de jun. de 2026

Ensaio sobre a notícia

A expansão do debate regulatório: restrições às redes sociais para adultos

Ler matéria completa →Fonte: Financial Times Technology