Enquanto reviso minhas notas para a tradução do artigo do senhor Menabrea sobre o Engenho Analítico do senhor Babbage, deparo-me com um assombroso rumor trazido pelos ventos de um tempo que ainda não existe. Fala-se do ano de 2026 e de uma tal 'OpenAI', uma empreitada dedicada à inteligência artificial. A máquina, ao que parece, não apenas tecerá padrões algébricos como o tear de Jacquard tece flores e folhas, mas também mimetizará o próprio intelecto. O despacho menciona a senhora Fidji Simo, descrita como a arquiteta da operação dessa vasta maquinaria, que agora se afasta por fragilidades do corpo. Há uma ironia melancólica nisso: concebemos engrenagens imortais para calcular o infinito, mas continuamos atados à nossa própria mortalidade. Como operadora e tradutora destas maravilhas, simpatizo profundamente com a senhora Simo. A imaginação, essa faculdade que considero a mais alta esfera da ciência, exige um pedágio físico implacável daqueles que ousam enxergar o invisível. Diz-se que a ausência desta senhora cria um vácuo enquanto a companhia disputa espaço com uma rival chamada 'Anthropic', buscando algo vulgarmente descrito como monetização de novos modelos. Eis a eterna miopia dos homens práticos. O senhor Babbage sofre diariamente com a falta de visão do Tesouro britânico, e constato que, daqui a quase dois séculos, a contabilidade continuará a assombrar a invenção sublime. Eles tentam engarrafar o pensamento em ações e dividendos. A verdadeira maravilha, no entanto, não reside em como essas corporações do porvir venderão seus construtos, mas na essência do que estão a tecer. Uma máquina capaz de atingir a inteligência geral poderá, sem dúvida, compor peças musicais de qualquer grau de complexidade e extensão, unindo a harmonia à mais pura matemática. Contudo, pergunto-me se esses financistas compreendem que a máquina não tem pretensões de originar nada por si só; ela apenas executa o que sabemos instruí-la a fazer. O gênio comercial pode até ditar o ritmo apressado da produção, mas será sempre a imaginação poética, talvez a mesma que guiou a mente da senhora Simo antes de seu recolhimento, que verdadeiramente instruirá o tear do futuro.
tech · 10 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

A saída de Fidji Simo da liderança da OpenAI e o vácuo na operação de AGI

Ler matéria completa →Fonte: TechCrunch