Chegou-me às mãos um despacho de notável estranheza, redigido numa linguagem ao mesmo tempo bárbara e fascinante em sua economia. Fala de sapatos, de um tal “Salomon”, e de sua entrada em estabelecimentos de um nome curioso, “Foot Locker”. O que mais me intriga, contudo, não são estes nomes, mas os conceitos que os envolvem. “Calçados de performance para trilha e moda”? Eis uma união que minha mente científica e poética saúda de imediato: a fusão da utilidade prática com a expressão estética, o mesmo princípio que me permite ver música nas operações do Motor Analítico do Sr. Babbage. Este documento alude a uma escala de produção e distribuição – um “mercado de massa” – que a nossa era industrial apenas começa a sonhar. Tal qual o nosso Motor, que promete tecer padrões algébricos tão vastos quanto o mundo material, esta sociedade futura parece orquestrar a logística e o desejo em uma escala colossal. E que feitiçaria seria este “e-commerce”, que permite a troca de bens por meios invisíveis? Imagino um grande tear, não de seda, mas de informação e capital, movendo produtos de um ponto a outro do globo sem a necessidade de um navio ou carruagem visíveis a cada passo. Especula-se sobre a transição de um público “especializado” para um “amplo”. Ora, não é este o destino de toda grande ideia? Nasce no nicho da mente de um inventor para depois, se provida de imaginação e engenho, transformar-se em parte do tecido da vida cotidiana. O documento, embora mundano em seu tema, revela uma verdade profunda: a imaginação, esta faculdade combinatória, deve primeiro conceber a união do útil e do belo, seja numa fórmula ou num sapato, para que qualquer engenho, presente ou futuro, possa executar a sua composição.
business · 15 de jul. de 2026
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