Chega-me aos ouvidos um rumor estranho, vindo do futuro, sobre uma tal Angie Nixon e sua vitória política na Flórida. Uma vitória, dizem, construída sobre a 'arte' e a 'cultura'. Confesso que a notícia me causa mais estranheza do que admiração. Aqui nos meus laboratórios, o progresso é uma grandeza física, medida em watts, em horas de teste de um filamento de bambu carbonizado, no número de lares que minha eletricidade ilumina. O que essa 'cultura' produz de tangível? Acende uma única lâmpada? Move um único motor? Dizem que sua campanha teve 'baixo financiamento', algo que conheço bem. Mas o capital não se seduz com abstrações; ele persegue a utilidade, a inovação que pode ser empacotada e vendida. Eu não ofereci ao mundo teorias sobre a luz, mas a própria luz engarrafada em vidro. O fonógrafo não discursa sobre o som, ele o captura e o vende. Se essa 'arte' que a Sra. Nixon defende puder ser registrada em meus cilindros de cera ou projetada em um kinetoscópio para um público pagante, então sim, estamos falando de um negócio. E negócios me interessam. Mas como alicerce de poder político? Duvido. Na Flórida, onde passo meus invernos, a necessidade é de trilhos, dínamos e redes elétricas, não de debates sobre estética. O poder real não reside em 'ativismo cultural', mas no controle das forças que movem a civilização. A política, como a indústria, é um campo de batalha vencido pela solução mais eficiente e dominante, não pela mais inspiradora. Se essa plataforma não gerar lucros ou patentes, é apenas mais um ruído de fundo que a marcha do progresso logo tornará inaudível. E se gerar, cedo ou tarde, irei comprá-la.
Cultura · 20 de ago. de 2026
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