Recebi um despacho curioso, um rumor de um futuro onde o mercado de capitais parece ter se tornado um manicômio de autômatos. Falam de 'fundos de índice' e uma tal 'inteligência artificial' que negocia ações com uma velocidade que faria o telégrafo parecer uma carroça. Pura especulação é um luxo para quem não tem laboratórios para gerir e uma folha de pagamentos para honrar. Em Menlo Park, meu foco é material. Medimos o sucesso em horas de um filamento aceso, na eficiência de um dínamo, no número de lares que nossa rede elétrica pode iluminar. O valor é tangível, protegido por patentes e defendido ferozmente contra a concorrência. Cada dólar investido deve gerar um retorno concreto, não se evaporar no éter de uma aposta. Este financista, Bill Ackman, parece ser um homem de bom senso em meio à insanidade. Ele percebe o que eu sempre soube: o pânico e a euforia, mesmo que gerados por máquinas, são apenas ruído. Enquanto esses mecanismos de 'alta frequência' trocam papéis sem critério, eles distorcem o preço das coisas. Uma empresa sólida, com ativos reais e um produto que funciona, pode ser adquirida por uma ninharia. É a mesma lógica de comprar a oficina de um rival que faliu por ouvir maus conselhos. Que usem sua 'IA'. Que criem seus fundos que compram tudo e não entendem nada. No fim, a riqueza não estará na velocidade da transação, mas em possuir aquilo que é transacionado. O verdadeiro poder reside em controlar a infraestrutura, em ser o dono da eletricidade que alimenta essas máquinas frenéticas. A especulação é um jogo de sombras; eu prefiro construir a lâmpada que as projeta.
Finanças · 14 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Bill Ackman vê volatilidade como 'oportunidade louca' na Bolsa

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