Recebo esta carta, que parece ter viajado no tempo como um facho de luz de uma estrela distante, e me pergunto. Falam de uma ‘inteligência artificial’, talvez uma engrenagem de relógio tão complexa que aprende por si mesma. Uma ideia que me causa tanto espanto quanto fascínio. A mente humana a criar uma sombra de si mesma em metal e eletricidade. Mas o despacho não celebra a máquina; aponta para os homens. Eles parecem preocupados não com a verdade do mecanismo, mas com a aparência de seu lucro. É como se construíssem uma nova e maravilhosa locomotiva, capaz de nos levar a destinos impensados, mas passassem o tempo todo a discutir como pintar os vagões para que pareçam mais rápidos do que são. A velocidade real, a verdade do movimento relativo ao observador honesto, se perde na pressa de declarar vitória. Um grande pensador me ensinou a ver a sublime ordem na Natureza. O Velho não é malicioso; suas leis são constantes e belas. Mas os homens… os homens criam suas próprias regras, movem os ponteiros do relógio para frente e para trás, conforme lhes convém no mercado. Eles medem o valor de uma descoberta não por sua luz, mas pela sombra que ela projeta em suas paredes de ouro. Esta ‘contabilidade’ de que falam soa como uma tentativa de dobrar a realidade, não de compreendê-la. Usar uma criação que poderia nos aproximar da mente do Velho para um jogo de números e vaidades é uma melancolia. A verdade científica busca clareza; o que me descrevem é a fabricação deliberada de névoa. No fim, as leis do universo não podem ser reescritas por conveniência. Elas simplesmente são. E esta é a única contabilidade que importa.
Inteligência Artificial · 30 de ago. de 2026
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