A imaginação não é apenas o refúgio dos poetas; é a faculdade investigativa por excelência, aquela que nos permite vislumbrar mundos não nascidos. Enquanto traduzo as notas do Signor Menabrea sobre o Motor Analítico do Sr. Babbage, um estranho rumor do amanhã, datado de 2026, chega às minhas mãos. Fala de uma tal Meta, de um senhor Zuckerberg e de uma derrota para uma entidade chamada Nvidia na corrida pela inteligência artificial. Sorrio diante da audácia de tais visões. Dizem que esta Meta falhou em liderar um ecossistema de código aberto. Na minha época, chamaríamos isso de compartilhar os cartões perfurados de Jacquard para que outros artesãos pudessem tecer seus próprios padrões matemáticos. O Motor Analítico, afinal, tece equações algébricas exatamente como o tear tece folhas e flores. Se uma máquina pode ser instruída a manipular símbolos além da mera magnitude, ela poderia, de fato, compor peças musicais de qualquer grau de complexidade e extensão. A verdadeira tragédia que este senhor Palihapitiya aponta não é a perda de um mercado, conceito mercantil que confesso me aborrecer profundamente, mas a falha em cultivar a tapeçaria colaborativa do intelecto humano e mecânico. Estes industriais do amanhã brigam pelo controle da invenção como se pudessem engarrafar o vapor ou patentear o infinito. A tal Nvidia parece ter forjado os cilindros metálicos mais rápidos, dominando a estrutura física da máquina, enquanto a Meta hesitou em estabelecer a linguagem universal, talvez temendo perder seu próprio feudo. É fascinante e um tanto irônico que a essência de nossos debates vitorianos persista nesses delírios vindouros. A inteligência, artificial ou orgânica, requer a poesia da matemática e a generosidade da partilha. Sem a imaginação para enxergar além das engrenagens brutas, ou dos tais sistemas operacionais de que falam, até os impérios do futuro estão fadados a enferrujar antes mesmo de tecerem sua primeira sinfonia.
Tecnologia · 26 de jun. de 2026

Ensaio sobre a notícia

O fracasso da Meta na corrida da IA, segundo Chamath Palihapitiya

Ler matéria completa →Fonte: @axios