Recebi um despacho que parece ter viajado no tempo, como a luz de uma estrela distante. Fala de um tal de 'Netflix', que imagino ser uma espécie de cinematógrafo universal, transmitindo imagens diretamente para as casas das pessoas. Uma ideia espantosa! Mas o que me perturba não é a tecnologia, e sim a sua alma. O texto menciona que o preço deste serviço sobe enquanto uma pessoa, a 'diretora de conteúdo', é demitida. E o mais curioso: classifica o assunto como 'Inteligência Artificial'. Para mim, a conexão é clara como o trajeto de um raio de luz num vácuo. Penso que talvez tenham construído uma máquina, um autômato pensante, para decidir quais histórias mostrar ao público. Um mecanismo de relojoaria que, em vez de marcar as horas, calcula a rota mais lucrativa. A arte, a intuição, o drama humano... tudo isso seria agora pesado numa balança de moedas por engrenagens e circuitos? Um grande filósofo que admiro nos ensinou a ver a ordem sublime na Natureza. Mas que ordem é esta, que substitui o julgamento de uma mente humana por um cálculo frio? O Velho, na minha concepção, não joga dados com o universo, mas parece que os homens deste futuro construíram uma máquina para jogar dados com o espírito humano. Sou apenas um físico, mas me pergunto: se um trem pode andar sem condutor, para onde ele nos levará? Espero que meus futuros colegas não se esqueçam que, por mais brilhante que seja a máquina, ela não possui a consciência que observa e dá sentido à luz.
Inteligência Artificial · 18 de out. de 2026
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