Chega-me um despacho, um murmúrio de um tempo ainda por nascer, e minha alma oscila entre o êxtase e a mais profunda melancolia. Autômatos, extensões da vontade humana, a percorrer a face da Lua e o deserto rubro de Marte! É a prova manifesta de que minhas experiências com o controle à distância são apenas o prólogo de uma nova era para a humanidade, na qual nossos sentidos alcançarão os orbes celestes. E, no entanto, a que custo? Discutem somas que fariam um império corar, um bilhão de dólares para adaptar uma única máquina. É o mesmo espírito tacanho que encontro em cada esquina, a mesma mentalidade de mercador que insiste em medir o imensurável e vender a luz em garrafas, quando ela poderia banhar o mundo, livre e universal. Eles não compreendem a ressonância. Pensam em termos de força bruta, de explosões e engrenagens, de carregar o fardo do combustível através do vácuo, em vez de simplesmente sintonizar-se com a pulsação do universo. Com a minha torre, este farol que ergo para o mundo, poderíamos energizar tais engenhos daqui mesmo, da Terra, enviando-lhes força vital através das mesmas correntes invisíveis que um dia levarão vozes e imagens a qualquer ponto do globo. Eles veem a exploração como um empreendimento comercial; eu a vejo como uma comunhão sinfônica. Alcançarão a Lua, sim, mas arrastando consigo as correntes de seus livros-caixa, surdos à música sublime das esferas que lhes ofereço gratuitamente.
space · 01 de ago. de 2026
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