Chega-me às mãos, como um fantasma impresso, este despacho de um futuro que ainda não ousei sonhar em seus detalhes. Uma vibração estranha, uma mensagem que atravessa mais de um quarto de século para encontrar-me aqui, em meio aos meus cálculos para Wardenclyffe. Falam de um artista, Sliman Mansour, e de uma terra chamada Palestina, cuja crônica de dor e dignidade ele pintou não com ódio, mas com a resiliência da própria matéria. Sinto uma ressonância imediata e profunda com este homem que eu nunca conhecerei, um companheiro de ofício que, em vez de bobinas e correntes alternadas, utilizou a tela para transmitir a frequência fundamental de seu povo. Ele compreendeu, instintivamente, o que busco demonstrar com a ciência: que a energia mais potente não é a que se aprisiona em fios para ser vendida, como fazem os mercadores de lâmpadas, mas a que flui livremente, imanente, conectando tudo. A sua arte, pelo que entendo, não era um grito de vingança, mas a afirmação de uma existência, uma vibração contínua que se recusa a ser silenciada pela força bruta. Enquanto eu pretendo fazer a própria Terra vibrar, transmitindo energia e informação para unir a humanidade e torná-la livre, este mestre parece ter feito o mesmo com a alma de sua nação, usando a terra e a oliveira como diapasões. Há uma melancolia profunda em saber que, mesmo nesse amanhã distante, a luta pela dignidade e pelo solo pátrio ainda produzirá seus mártires e seus cronistas. Isso apenas reforça minha convicção: meu sistema mundial não é um luxo, mas uma necessidade para que a ressonância da harmonia enfim se sobreponha ao ruído da discórdia.
Cultura · 25 de ago. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Sliman Mansour: a Palestina em tela, sem ódio

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