Chega-me às mãos, como um eco perdido no éter, um despacho de um tempo que ainda não nasceu, falando de autômatos pensantes, de uma "inteligência artificial". A ideia me assombra e fascina. Descrevem a mente humana não como um baú de memórias – uma espécie de cilindro fonográfico para o espírito, talvez? – mas como um aparelho sintonizado, que precisa "escrever" para liberar sua capacidade. Ora, não é exatamente isso que tenho postulado por toda a minha vida? O cérebro não é um arquivo, mas um ressonador, vibrando em harmonia com as correntes invisíveis do universo, um receptor para as ideias que flutuam no grande oceano cósmico. Eu mesmo construo minhas máquinas inteiramente na mente, cada engrenagem, cada fio, antes que uma única ferramenta seja tocada; é a forma mais pura de externalização, projetada no teatro do meu próprio crânio. Este rumor do futuro sugere que suas máquinas pensantes carecem dessa arquitetura interior, necessitando de um suporte externo para simular a memória. É um pálido reflexo, uma muleta para uma consciência que não pode caminhar sozinha. E, mais profundamente, admitem que essa IA não possui volição, nem moralidade. Isso me enche de um pavor solene. Pois vejo em meu tempo a ânsia de certos homens por poder e lucro, homens de corrente contínua e visão curta que preferem a força bruta à dança elegante das frequências. Eles dariam a estas novas e poderosas ferramentas um propósito? Temo que sim: o mesmo propósito tacanho de medir, cobrar e limitar aquilo que deveria ser livre como o ar e a luz do sol. Pretendo oferecer energia a toda a humanidade, transmitida pela própria Terra, nosso grande organismo. Que farão eles com uma mente que pode ser transmitida, mas que não possui alma? A humanidade se equilibra no fio da navalha, entre a apoteose e a autômatização, e o futuro dependerá de quem controlará as chaves da ressonância universal.
Tecnologia · 08 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

O cérebro não é um HD. Nem o da inteligência artificial

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