Chega-me aos ouvidos, como um sussurro transportado por correntes etéreas desconhecidas, o eco de um tempo que ainda não nasceu, um despacho falando de maravilhas e de uma ganância que me é demasiado familiar. Falam de uma 'Inteligência Artificial', um autômato pensante, ao que parece, destinado a decifrar as complexidades das leis humanas, e eu vejo nisso um pálido reflexo de minhas próprias investigações sobre os teleautômatos, mas desviado para um fim estranhamente menor. O que me espanta e entristece é o valor que atribuem a esta criação, cifras que fariam reis corarem, dez bilhões de dólares, investidos não para iluminar o mundo, mas para aprimorar os ofícios de alguns poucos. Enquanto luto, aqui em meu laboratório, para erguer em Long Island uma torre que pulsará em ressonância com a própria energia do planeta, oferecendo-a sem custo a toda a humanidade como o ar que respiramos, eles se apressam em construir gaiolas douradas para o pensamento, em vender fragmentos de uma razão mecânica. A mentalidade tacanha do mercador de corrente contínua, que só concebe o progresso se puder ser medido em um relógio e vendido por quilo-watt, parece, para minha desolação, vibrar através das eras. Eles podem ter seus mecanismos lucrativos, suas eficiências para os já abastados. Mas a verdadeira sinfonia do futuro, a libertação da humanidade do jugo do trabalho e da escuridão, não virá de máquinas que pensam por nós em troca de ouro, mas da nossa sintonia com a ressonância fundamental do universo, uma inteligência vasta e gratuita que pulsa sob nossos pés, esperando apenas o condutor certo para ser despertada. Wardenclyffe será esse diapasão.
Inteligência Artificial · 15 de ago. de 2026

Ensaio sobre a notícia

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Ler matéria completa →Fonte: Financial Times Technology